Nesta terça-feira (25), Vitória Drumond Medeiros, filha de Geraldo Medeiros Júnior, que pilotava o avião que levava Marília Mendonça no dia da trajédia, voltou a se manifestar nas redes sociais, a respeito da divisão do dinheiro do seguro. Ela frisou que os valores deveriam ser repartidos de forma igualitária e explicou que famílias das vítimas do acidente se mantiveram em silêncio por conta do luto vivido pelas perdas dos parentes.
“A injustiça foi feita”, disse ela. “Nós éramos a parte mais frágil da corda, né? Em quem vocês iam acreditar? Numa anônima ou na mãe da figura mais famosa de sertanejo do Brasil?”, adicionou.
No início do mês, veio a tona que Dona Ruth, mãe de Marília, teria exigido ficar com metade dos valores pagos às vítimas. A justificativa é de que os ocupantes da aeronave só estavam ali por conta de sua filha e que, por isso, a vida da cantora sertaneja valeria mais.
Veja à íntegra do desabafo de Vitória:
“Voltei para esclarecer algumas, penso que últimas, coisas. Muitos se perguntaram e me perguntaram porque nós não viemos a público antes, essas outras quatro famílias que ficaram de receber esse seguro. Bom, a resposta é: nós todos estávamos no período de luto, sabe? Cada família estava vivendo o seu luto, momentos muito delicados. Eu perdi o meu pai, pessoas perderam seu marido, o Leo [filho de Marília Mendonça] perdeu a mãe dele.
Cada um estava num momento muito profundo ali, a gente não estava pensando em dar entrevista, cada família não estava preocupada em chamar a mídia para falar de dinheiro. A gente só estava preocupado em continuar vivendo, viver o nosso período de luto, aprender a viver. Aconteceu muito isso na minha vida, deve ter acontecido na de todo mundo, reaprender a viver.
A gente realmente não quis ir à mídia, estávamos num momento de luto. E por outro lado, eu não sei se as outras famílias chegaram a pensar em ir para mídia. Eu, como blogueira, pensei em um momento ir para mídia, mas eu pensei ‘em que que isso vai ajudar, não vai agregar em nada. E pode até atrapalhar, né? Pode até ser pior, mandar para Justiça mesmo ou causar uma onda de hate a mim (…) Eu pensei em ir para mídia, mas eu pensei isso não vai ajudar em nada e pode até piorar.
O que eu de fato pensei foi entrar em contato com a parte da Marília Mendonça, mas a gente nunca teve acesso a ela, nunca cheguei a falar diretamente com ela, só falei com advogados e como eu disse, com a família direto do Tarcíso [Tarciso Pessoa Viana, co-piloto do avião]. A gente não estava preocupada em fazer mídia, a gente só queria receber o que era justo, reaprender a viver ali, continuar vivendo, e aí pensou que isso poderia não ajudar em nada e pelo contrário, agravar o problema, agravar a situação.
Outra coisa, isso ia continuar em segredo por mim, pelas outras famílias até o ponto, tipo a injustiça foi feita, foi feito assim e eu não faço ideia de quem passou essa informação para o jornalista que veio primeiro com aquele vídeo falando tudo [Ricardo Feltrin, jornalista que divulgou que o seguro não teria sido pago de forma igualitária] Não faço ideia de como esse jornalista conseguiu essa informação, mas já que ele conseguiu essa informação, eu gostaria de esclarecer isso tudo, porque isso foi vivido por mim, na minha pele, pela minha família.
E uma última coisa, queria falar sobre a divisão, né? Vocês não viveram tudo que eu vivi, foram meses de acordo e, por último, estava só eu contrária ao acordo. Eu fui acusada até de ser gananciosa, mas, pelo contrário, eu só queria o justo para todo mundo, porque para mim, para mim não, no de acordo com o documento é um seguro por morte. São cinco mortes, tem que ser igualitário. Há cinco, são cinco vidas, cinco vidas morreram, deveria ser igualitário, mas não foi assim e um último passo só eu estava ali contra o acordo.
Então, eu estava já empatando a vida de todo mundo e eu tive realmente que ceder até para o meu bem, porque estava rolando muita coisa, mas eu entendo que todo mundo em algum momento, por essa pressão, por tudo que houve, aceitou, porque Nós éramos, outra, outro até motivo de porque que a gente não veio a público. Nós éramos a parte mais frágil da corda, né? Em quem vocês iam acreditar? Numa anônima ou na mãe da figura mais famosa de sertanejo do Brasil?
Então acho que a gente também tinha medo. Então em um ponto só eu estava empacando e eu entendo que todo mundo queria receber, queria não, necessitava receber esse dinheiro logo. Tinham várias crianças envolvidas, sabe? Que que precisavam ser providas, que precisavam ir para escola. Eu também precisei, mas eu não sustento ninguém, né?
Como mães, precisavam sustentar ali seus filhos. E foi isso, gente. Esse é o motivo por qual eu não tinha vindo a público. Creio que esse é o motivo pelo qual as famílias tão também não vieram a público. E esse é também o porque a gente não conseguiu ir até o final, que fosse igualitário. Todas as partes aceitaram eu fiquei contra até o final, mas acabei cedendo. Foi isso, foi finalizado já, já foi entregue e espero que tenha esclarecido um pouco mais essa história para vocês”.
